Piauí avança na alfabetização e reduz de 56 para apenas 3 o número de municípios em situação crítica em apenas um ano

O Piauí apresentou uma das maiores evoluções do país na alfabetização de crianças e reduziu de forma expressiva as desigualdades entre os municípios. É o que aponta acompanhamento realizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a implementação do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA) no Estado. O levantamento mostra que o número de municípios piauienses com até 50% das crianças alfabetizadas caiu de 56, em 2024, para apenas três em 2025, enquanto 178 dos 224 municípios passaram a apresentar índice igual ou superior a 70%.
O resultado coloca o Piauí entre os estados que mais avançaram na redução das desigualdades educacionais. Segundo o TCU, a quantidade de municípios classificados como críticos caiu 94,6% em apenas um ano. Em 2025, apenas Aroeiras do Itaim, com 41%, Campo Alegre do Fidalgo, com 45%, e Palmeiras, com 50%, estavam na faixa de até 50% de alfabetização. Na outra ponta, sete municípios chegaram a 100%, entre eles Cocal, Bom Jesus e Belém do Piauí.
O avanço também aparece no resultado geral do Estado. O Piauí chegou a 77% no Indicador Criança Alfabetizada (ICA) em 2025, segundo os dados analisados pelo TCU, resultado que colocou o Estado na quarta posição nacional. O Tribunal relaciona essa evolução ao trabalho desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação e, especialmente, à continuidade do Programa Piauiense de Alfabetização na Idade Certa (PPAIC), associado às ações do programa federal CNCA.
PPAIC é apontado como um dos fatores do avanço
Na avaliação do TCU, o desempenho alcançado pelo Piauí não é resultado apenas de uma ação isolada. O relatório destaca a decisão da gestão estadual de colocar a alfabetização como prioridade e aponta o PPAIC como um dos principais elementos responsáveis pela mudança observada nos indicadores.
O programa envolve ações que começam ainda na educação infantil, passam por avaliações e devolutivas pedagógicas e incluem formação de profissionais e produção de material didático específico. Para o Tribunal, a estratégia estadual, associada ao fortalecimento proporcionado pelo CNCA, contribuiu para ampliar o engajamento das redes municipais, inclusive em localidades com menor capacidade técnica e financeira.
A fiscalização também comparou quatro municípios com realidades diferentes. Cocal passou de 73,2% de alfabetização em 2023 para 99% em 2025, enquanto Cocal dos Alves chegou a 95%. Parnaíba saiu de 31% para 51%, e Ilha Grande avançou de 39,9% para 61%. Os quatro municípios alcançaram as respectivas metas estabelecidas pelo CNCA para 2025.
O contraste entre esses municípios foi utilizado pelo TCU para demonstrar que a política vem produzindo resultados, embora ainda existam diferenças importantes dentro do território piauiense. Cocal e Cocal dos Alves aparecem como referências, enquanto Parnaíba e Ilha Grande ainda precisam avançar para reduzir suas desigualdades educacionais.
Mais de R$ 48 milhões foram destinados à política de alfabetização
O acompanhamento também analisou os recursos federais destinados ao Piauí entre 2023 e 2025. O volume fiscalizado chegou a R$ 48,66 milhões, aplicados em formação de profissionais, material didático, Cantinho da Leitura e bolsas para articuladores da Rede Nacional de Articulação de Gestão, Formação e Mobilização (Renalfa).
Somente para a formação de profissionais da Seduc-PI foram empenhados e pagos R$ 36,78 milhões. Outros R$ 10,27 milhões foram empenhados para material didático, dos quais R$ 1,95 milhão havia sido pago até o período analisado. Também foram destinados R$ 3,89 milhões ao Cantinho da Leitura, contemplando 1.478 unidades escolares.
Pontos de atenção não comprometem o quadro geral
Apesar dos resultados positivos, o TCU identificou alguns pontos que precisam ser aprimorados. O relatório menciona, por exemplo, a necessidade de melhorar o acompanhamento da participação dos professores nas formações, ampliar a divulgação das metas de alfabetização por escola e aperfeiçoar os mecanismos de avaliação e acompanhamento dos estudantes com deficiência.
Também foi observada a necessidade de que os municípios avancem na formalização de suas próprias políticas de alfabetização. Nas quatro cidades visitadas, o Tribunal identificou ausência de planos municipais estruturados com diagnóstico, metas, estratégias pedagógicas, formação docente e mecanismos de monitoramento.
Outro ponto citado foi o Prêmio Alfa-10, iniciativa estadual criada para reconhecer escolas com melhores resultados e estimular a transferência de boas práticas para unidades com desempenho inferior. O TCU considerou o desenho do programa adequado e reconheceu seu potencial de incentivo, mas apontou atrasos no pagamento de premiações do ciclo de 2024 e a necessidade de tornar mais sistemática a cooperação pedagógica entre as escolas.
São, portanto, pontos de aperfeiçoamento dentro de uma política que apresentou resultados expressivos, e não uma avaliação negativa do desempenho geral do Estado. O próprio TCU destaca que Cocal e Cocal dos Alves se tornaram referências e que o Piauí esteve entre os estados que mais reduziram o número de municípios em situação crítica.
Um resultado que coloca o Piauí em evidência
O levantamento do TCU oferece um retrato importante da política de alfabetização no Estado. Em pouco mais de dois anos, o Piauí saiu de um cenário em que 85 municípios estavam na faixa prioritária de até 50% de alfabetização, em 2023, para apenas três em 2025. No mesmo período, o número de municípios com pelo menos 70% de alfabetização saltou de 73 para 178.
O desafio agora é manter o ritmo e fazer com que os resultados alcançados pelos municípios de melhor desempenho possam ser disseminados para as redes que ainda enfrentam dificuldades. O próprio modelo do PPAIC e do Prêmio Alfa-10 prevê essa cooperação entre escolas e redes, justamente para transformar experiências bem-sucedidas em práticas que possam ser reproduzidas em outras regiões.
Para o Piauí, o dado mais relevante do relatório é que a alfabetização deixou de ser apenas uma meta e passou a apresentar resultados mensuráveis em praticamente todo o território estadual. As recomendações apresentadas pelo TCU aparecem, nesse contexto, como ajustes necessários para dar continuidade a uma trajetória que, pelos números de 2025, colocou o Estado entre os destaques nacionais na área.
Fonte: Portal A10+
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