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PSOL e Rede divergem sobre estratégia para o Senado no Piauí às vésperas de convenção
Federação ainda não fechou consenso sobre número de candidaturas majoritárias; Rede admite convenção própria neste sábado (01) caso o impasse não seja resolvido

Teresina (PI) — A poucos dias das convenções partidárias que vão definir as candidaturas para as eleições de 2026, a Federação PSOL/Rede vive um impasse sobre a estratégia para a disputa majoritária no Piauí. Os dois partidos, que caminham juntos sob a mesma legenda federativa, ainda não conseguiram alinhar um projeto único para o governo do Estado e, principalmente, para as duas vagas em disputa no Senado.
O ponto de divergência
De um lado, o PSOL defende o lançamento de uma chapa completa: um nome ao governo do Estado e dois candidatos ao Senado. Do outro, a Rede Sustentabilidade contesta essa estratégia e defende a construção de candidatura única para a vaga de senador, em torno do nome do professor e ex-deputado federal Manuel Domingos Neto.
Para o presidente estadual da Rede, Messias Júnior, a decisão do PSOL de lançar dois postulantes ao Senado desconsidera as limitações estruturais da federação. Segundo ele, a pequena estrutura política dos dois partidos, o reduzido tempo de televisão e o baixo volume de recursos de campanha tornam mais eficiente apostar em um único nome, capaz de dialogar com eleitores para além da base tradicional da federação.
Diante da falta de acordo, Messias Júnior chegou a admitir a possibilidade de a Rede realizar convenção própria, fora da federação, neste sábado (01) — um sinal de que a paciência do partido com a indefinição está próxima do limite.
PSOL nega racha e mantém chapa própria
Do lado do PSOL, a leitura é diferente. A legenda tem defendido que, como partido majoritário dentro da federação, cabe a ela ocupar a maior parte das candidaturas — incluindo a cabeça de chapa ao governo do Estado. De acordo com apurações recentes, o PSOL já trabalha com um desenho de chapa que inclui nome próprio ao Executivo estadual, uma vice-governadora e um candidato ao Senado, além de reservar espaço à Rede para indicar candidaturas proporcionais.
A sigla nega publicamente qualquer racha na federação e afirma que o nome apresentado pela Rede para o Senado — o de Manuel Domingos — sempre foi bem recebido pelo partido, ainda que o PSOL insista em manter dois nomes na disputa pela Casa Alta.
Quem é Manuel Domingos
Sociólogo, professor e historiador, Manuel Domingos Neto teve passagem pela Câmara dos Deputados na década de 1980, eleito pelo MDB. Hoje preside a recém-criada Academia Piauiense de Cultura e vem, nas últimas semanas, percorrendo municípios do interior do Piauí em agenda de pré-campanha, reunindo lideranças políticas, comunitárias e representantes da sociedade civil. Sua pré-candidatura já recebeu adesões fora da base tradicional da federação, incluindo apoios vindos de setores do PT no Estado — mesmo entre lideranças que declaram apoio à reeleição do governador Rafael Fonteles.
Federação tenta salvar consenso
Apesar do impasse, a presidente do PSOL no Piauí e também presidente da Federação PSOL/Rede, Cintia Falcão, garante que o racha não é definitivo. Segundo ela, o partido está disposto a promover novas rodadas de negociação nos próximos dias, com o objetivo de anunciar as convenções já em clima de consenso entre as duas legendas.
A avaliação de dirigentes ligados à federação é que a divergência atual não tem origem ideológica, mas sim estratégica — um desacordo sobre a melhor forma de otimizar recursos escassos de tempo de TV, estrutura partidária e financiamento de campanha diante do calendário eleitoral que se aproxima.
Próximos passos
Com a convenção da Rede marcada para este sábado, dia 1º, a expectativa é que as próximas horas sejam decisivas para definir se a federação chegará unida às urnas em 2026 ou se cada partido seguirá com estratégias próprias para a disputa do Senado piauiense — mantendo, ainda, a possibilidade de recomposição em torno de um nome de consenso até a data-limite das convenções partidárias
