
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) foi eleita senadora pelo Distrito Federal neste domingo, conquistando pela primeira vez um cargo eletivo. A confirmação ocorreu por volta das 18h32, quando ela aparecia com 28,98% dos votos válidos. A segunda vaga ficou com a deputada federal Bia Kicis (PL), que somava 27,4% com 93,16% das urnas apuradas.
Durante a campanha, Michelle afirmou que decidiu disputar o Senado após receber uma “missão” do marido, Jair Bolsonaro (PL), que cumpre pena em regime domiciliar pela participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A ex-primeira-dama prometeu atuar em pautas ligadas aos direitos das mulheres e das pessoas com deficiência, mas também se alinhou a bandeiras da direita, como a defesa da libertação de Bolsonaro e de apoiadores condenados pelos ataques às instituições, além de críticas ao ministro do STF Alexandre de Moraes.
Estratégia eleitoral e tensões familiares
Michelle foi considerada peça-chave na estratégia do PL para ampliar sua bancada no Senado e fortalecer a base bolsonarista em futuras disputas presidenciais. Seu perfil ajudou a atrair eleitorado feminino e evangélico, segmentos nos quais Jair Bolsonaro enfrenta maior resistência.
A campanha, no entanto, foi marcada por tensões familiares. Michelle protagonizou um racha público com o enteado Flávio Bolsonaro (PL), após divergências sobre alianças políticas no Ceará e críticas à sua participação nas decisões partidárias. Em junho, durante a Copa do Mundo, ela publicou um vídeo acusando Flávio de desrespeitá-la, o que expôs fissuras internas no clã Bolsonaro e gerou desgaste político.
Disputas internas no PL
Além das divergências com Flávio, Michelle tentou emplacar aliados em candidaturas estratégicas, como Priscila Costa ao Senado, mas foi desautorizada pelo diretório estadual do PL. O episódio levou a ex-primeira-dama a deixar temporariamente a presidência do PL Mulher e cogitar desistir da disputa.
Apesar das turbulências, lideranças bolsonaristas atuaram para reaproximá-la da campanha, e Michelle retomou protagonismo com o lançamento do movimento “As Imparáveis”, voltado ao empoderamento feminino e à mobilização de eleitoras nas redes sociais.
Projeção nacional
A vitória de Michelle Bolsonaro reforça a presença do PL no Senado e amplia o espaço da família Bolsonaro na política nacional. Sua atuação será acompanhada de perto não apenas pelo impacto legislativo, mas também pelo potencial de influenciar a corrida presidencial, em meio às disputas internas e ao desafio de consolidar o capital político entre evangélicos e mulheres.
Fonte: O Globo