A corrida pela primeira suplência do senador Júlio César (PSD) nas eleições de 2026 ganhou novos contornos nos bastidores da política piauiense. Nos últimos dias, duas movimentações importantes mudaram completamente o cenário dentro do Partido dos Trabalhadores (PT): a saída de Antônio Luiz da disputa e a confirmação de que o deputado federal Merlong Solano não tem interesse em integrar a chapa.
1º passo: Antônio Luiz deixa a disputa
O primeiro fato que reorganizou o tabuleiro foi a decisão de Antônio Luiz de abrir mão da pré-candidatura à primeira suplência. Até então, ele era tratado como um nome praticamente consensual dentro do PT.
Com aval direto do governador Rafael Fonteles e do ministro Wellington Dias, Antônio Luiz reunia três fatores considerados decisivos: confiança política, experiência administrativa e bom trânsito entre diferentes correntes do partido.
No entanto, ao aceitar o convite para assumir a Secretaria de Segurança Pública (SSP), no lugar de Chico Lucas, ele fez uma escolha estratégica. Internamente, a decisão foi interpretada como um gesto de lealdade ao projeto político liderado por Rafael Fonteles, ao trocar a possibilidade de até oito anos no Senado por 11 meses à frente de uma das pastas mais sensíveis do governo estadual.
Com isso, a suplência — que parecia encaminhada — voltou ao centro das articulações.

2º passo: Merlong nega qualquer interesse
Em seguida, veio a confirmação de que o deputado federal Merlong Solano (PT) está fora de qualquer composição majoritária ou de suplência para 2026.
Interlocutores próximos ao parlamentar informaram ao Portal 180graus que Merlong não tem interesse em disputar vaga no Senado, nem mesmo como suplente. A avaliação é de que ele vive um dos seus melhores momentos políticos e prefere manter foco total no mandato na Câmara dos Deputados.
A estratégia passa por continuar atuando na bancada federal em alinhamento direto com o governador Rafael Fonteles e o presidente Lula, ajudando o Piauí em pautas econômicas, fiscais e orçamentárias.
Economista e quadro histórico do PT no estado, Merlong já comandou as secretarias de Administração e de Planejamento, além de ter exercido mandato na Câmara como suplente em duas ocasiões. Reconhecido pelo perfil técnico, mantém respeito interno, mas, segundo aliados, não participa das discussões sobre rearranjos eleitorais neste momento.
Com sua saída do radar, o número de nomes na disputa diminuiu.
3º passo: PT mantém controle da suplência
Apesar das mudanças, um ponto segue pacificado dentro da cúpula petista: a primeira suplência do senador Júlio César continuará com o PT.
Essa avaliação é compartilhada tanto pela direção partidária quanto pelo núcleo político do Palácio de Karnak e já havia sido reafirmada publicamente pelo próprio senador — informação antecipada pelo Portal 180graus há cerca de seis meses.
Quatro nomes seguem na disputa
Com as saídas de Antônio Luiz e Merlong Solano, quatro nomes permanecem no centro das articulações:
Regina Sousa
Ex-governadora, ex-senadora e uma das figuras mais simbólicas do PT no Piauí, Regina Sousa aparece como referência natural no partido.
Ela já foi suplente de Wellington Dias, exerceu mandato no Senado entre 2015 e 2018, foi vice-governadora, governadora do Estado e, atualmente, é secretária da Sasc.
Apesar do peso político, aliados avaliam que Regina vive um momento de maior afastamento da vida pública, o que gera dúvidas sobre a disposição para assumir uma suplência que pode exigir presença constante em Brasília. Ainda assim, seu nome segue respeitado e lembrado.
João de Deus
Atual secretário da Sasc e ex-presidente estadual do PT, João de Deus ganhou força nos bastidores.
Ele assumiu a secretaria com a missão de pacificar uma pasta historicamente marcada por disputas internas — tarefa considerada bem-sucedida por aliados. Desde então, a Sasc deixou de ser foco de conflitos dentro do governo.
No chamado “PT raiz”, João de Deus é visto como um nome competitivo, com experiência partidária, capacidade de articulação e diálogo entre diferentes correntes. Caso avance, precisará deixar o cargo até abril, conforme a legislação eleitoral.
Washington Bonfim
Secretário do Planejamento, Washington Bonfim é apontado como um dos “RafaGold” — grupo de gestores de confiança direta do governador Rafael Fonteles, com ampla experiência administrativa.
Economista e servidor de carreira, Bonfim tem perfil técnico, discreto e institucional, considerado estratégico dentro do governo. Outro fator relevante é o aspecto partidário: ele preside o PSB no Piauí, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin, o que pode fortalecer o diálogo nacional e ampliar a composição da chapa em 2026.
Emílio Júnior
Também está no radar o secretário da Fazenda, Emílio Júnior, integrante do núcleo mais próximo do governador Rafael Fonteles e igualmente classificado como “RafaGold”.
Auditor fiscal de carreira, ele é responsável pela condução das finanças do Estado, incluindo orçamento, arrecadação, política fiscal e pagamento de servidores. Representa o Piauí em fóruns nacionais, como o Comsefaz, e participa diretamente dos debates sobre reforma tributária e equilíbrio fiscal.
Dentro do governo, é visto como um dos principais quadros técnicos da gestão atual.
Próximos capítulos
Com a retirada de nomes considerados fortes e a permanência de quatro perfis distintos, a disputa pela suplência de Júlio César entra agora em uma fase mais aberta e estratégica. A definição deverá levar em conta equilíbrio político, composição partidária e alinhamento com o projeto do Palácio de Karnak para 2026.
Nos bastidores, a avaliação é clara: o jogo segue aberto — e cada movimento conta.